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Uropediatria

Por Dr Gustavo Franco, Urologista

O que é a urologia pediátrica?

A urologia pediátrica trata de problemas genitais e urinários das crianças.

Quais as doenças mais comuns?

Podemos citar a fimose, a criptorquidia (ausência de testículo no escroto), a hipospádia e epispádia (alterações congênitas na formação do canal uretral), ambiguidades genitais e extrofia vesical (bexiga que nasce para fora) são alguns exemplos de alterações genitais.

No âmbito das alterações urinárias, as mais comuns são a incontinência urinária durante o dia ou durante o sono (enurese noturna), a bexiga neurogênica, as dilatações renais (hidronefroses) e o refluxo de urina da bexiga ao rim (refluxo vesicoureteral). Outro problema frequente que a urologia pediátrica lida é a infecção urinária.

Dúvidas? Vamos falar sobre as doenças mais comuns!

Fimose

O que é fimose?

A fimose é definida como a incapacidade de retrair completamente o prepúcio e expor a glande, causada por uma constrição do prepúcio (pele que recobre a glande do pênis).

Você sabia?

Cerca de 95% dos bebês do sexo masculino nascem com fimose e ao atingirem os 3 anos de idade, o número de crianças que ainda possuem fimose caem para 10% e no máximo 3% dos meninos continuam com essa condição quando chegam a adolescência.

Quais as opções de tratamento?

O tratamento é individualizado podendo ser com pomada ou cirurgia.

Quando operar?

A indicação de postectomia ainda é controversa visto que razões culturais, religiosas e familiares, além das indicações médicas, estão envolvidas. Entre as indicações médicas de postectomia estão a fimose verdadeira, que consiste em anel fibroso, esbranquiçado e cicatricial no orifício prepucial, balanopostites de repetição, balanite xerótica obliterante, dor durante as ereções, parafimose e obstrução miccional pelo prepúcio. A infecção urinária, refluxo vésico-ureteral e hidronefrose são indicações relativas e questionadas por muitos. A hipertrofia do prepúcio não é uma indicação para a cirurgia, muito embora seja a razão de muitas visitas aos consultórios urológico.

Refluxo vesicoureteral (RVU)

O que é o refluxo vesicoureteral?

Refluxo vesicoureteral (RVU) é a condição na qual há fluxo retrógrado de urina da bexiga para o trato urinário superior. Este é um evento anormal no ser humano, resultante de uma deficiência anatômica intrínseca à junção ureterovesical ou à elevação anormal da pressão vesical decorrente de uma obstrução vesicoureteral mecânica ou disfuncional.

O que o refluxo pode acarretar?

O refluxo está associado a um risco aumentado de infecção urinária (ITU). Essa infecção urinária, muitas vezes, causa lesão renal, matando as células que compõem a unidade funcional dos rins, que são os néfrons. Sendo assim, o objetivo maior do tratamento do refluxo é evitar a infecção de urina, na tentativa de se preservar a função renal.

O refluxo é classificado em 5 graus:

O refluxo se resolve espontaneamente?

Depende de alguns fatores, como:

Grau- Quanto maior o grau, menor é a chance de se resolver espontaneamente.
Idade- Quanto maior a idade da criança na época do diagnóstico, menor é a taxa de resolução espontânea. A chance de resolução do refluxo após os 5 anos de idade é pequena.

Como é diagnosticado o refluxo?

O exame para a confirmação do RVU se faz com uretrocistografia miccional.

Como são tratadas as crianças com refluxo?

O objetivo principal no manejo do RVU é o da preservação da função renal. Em geral o tratamento inicial é clínico. O tratamento clínico consiste de observação cuidadosa da criança e uso de antibióticos profiláticos, que consiste na utilização de antimicrobianos em baixas dosagens com a finalidade de prevenir infecções.

As ITUs febris, alto grau de refluxo, bilateralidade e anormalidades corticais são consideradas como fatores de risco para possível dano renal. Nos pacientes de alto risco que já apresentam dano renal, uma abordagem mais agressiva e multidisciplinar é necessária. O tratamento cirúrgico compreende o uso de injeções endoscópicas, ou o reimplante ureteral.

Criptorquidia

O que é criptorquidia?

O termo criptorquidia tem origem no grego “cripstos”, que significa oculto; e “orqui”, que significa testículo, ou seja, a criptorquidia significa a ausência do testículo no seu lugar habitual, a bolsa escrotal.

Quando ocorre?

Os testículos se desenvolvem durante a vida fetal (intra-uterina) na região abdominal e, então, começam seu trajeto de descida para a bolsa escrotal, terminando-o ao final da gestação. Esta migração descendente é propiciada por diversos fatores e pode ser interrompida em qualquer local durante este processo, originando a criptorquidia.

A criptorquidia representa uma das patologias mais comuns da infância, principalmente em bebês prematuros. Pode ocorrer de um lado (unilateral) ou dos dois lados (bilateral).

Porque os testículos migram?

Esta troca de ambiente que ocorre ao final da gestação tem uma razão de ser: para produzir espermatozóides viáveis e maduros, os testículos devem trocar o calor de dentro do abdome por um lugar um pouco mais frio, o escroto. Uma diferença de 1,5 a 2,0 ºC entre esses dois locais pode ser suficiente para inibir a produção de espermatozóides.

Complicações

A criptorquidia deve ser diagnosticada e tratada o quanto antes, pois podem surgir complicações ao manter os testículos em um local anômalo. Entre elas deve-se destacar as grandes chances de malignização do testículo e sua consequente transformação em uma neoplasia (câncer), o que ocorre bem mais tardiamente. Podem ainda ocorrer torções testiculares, hérnias e infertilidade.

Tratamento

Em três quartos dos casos, o testículo desce nos três primeiros meses de vida, mas aqueles que não atingiram a bolsa escrotal até um ano de vida dificilmente o farão naturalmente, sendo necessário tomar alguma medida para que isso ocorra. O tratamento consiste em levar o testículo para o seu local correto, o que deve ser feito prioritariamente através de procedimento cirúrgico entre os 6 e 18 meses de vida.

Enurese noturna

O que é a enurese noturna?

Enurese noturna é o termo técnico que se dá para as crianças que urinam na cama.

Xixi na cama é doença?

Acordar com a cama molhada é uma situação comum para as crianças, especialmente no período de desfralde. É que até essa idade o mecanismo urinário da criança ainda está amadurecendo e, mesmo que ela tenha controle durante o dia, o relaxamento provocado pelo sono acaba desencadeando a perda urinária.

Entretanto, se a partir dos cinco anos de idade o problema persistir pelo menos duas vezes por semana, pode ser a enurese noturna, um transtorno com grande influência hereditária que acomete cerca de 15% das crianças, grande parte de meninos. Isto significa que, se um dos pais fez xixi na cama até depois dos 5 anos de idade, as chances de o filho ter enurese noturna aumentam quase 50%. Se os dois fizeram, este risco pode subir para 77%.

O melhor a fazer é tranquilizar a criança e procurar um especialista assim que possível. Evite demonstrações de fúria, bem como agressões verbais e físicas. A criança com Enurese Noturna não faz xixi na cama para chamar atenção, ela está sofrendo e a atitude dos pais influenciará totalmente no tratamento do distúrbio

Que efeitos psicológicos, a enurese noturna pode acarretar?

A enurese noturna pode ocasionar sérios efeitos psicológicos que são agravados com a inabilidade dos pais em lidar com esse problema, sobretudo quando a criança é punida. A autoestima da criança pode ficar abalada. A criança se sente ofendida e embaraçada, deixando de participar de brincadeiras com colegas e de atividades sociais em geral. A criança passa a evitar dormir na casa de parentes e amigos pelo medo de urinar na cama. O comportamento da criança traz também frustração para a família. A enurese noturna envolve também o custo de lavar as roupas de dormir e de cama, além de consultas médicas e muitas vezes por uso de medicações.

Quais são as causas de enurese noturna?

Qual é o tratamento da enurese noturna?

A terapia deve ser baseada nos fatores que contribuem para a enurese noturna.

Somente o médico capacitado para tratar disfunções miccionais, depois de analisar o histórico e determinar a gravidade do caso, poderá indicar o melhor tratamento para a Enurese Noturna. Isto vai permitir que a criança e a família tenham melhor qualidade de vida e evita implicações na autoestima do pequeno. Confira as abordagens recomendadas pelos especialistas.

Olho na rotina!
Inserir pequenas mudanças na rotina da criança enurética pode significar muito. No mínimo 2 horas antes de a criança ir dormir, é importante evitar a ingestão de líquidos ou alimentos com cafeína e chocolate. Criar o hábito de urinar antes de deitar e logo ao acordar também é recomendado.

Valorize as noites secas
Durante o tratamento, cada noite seca precisa ser encarada como uma vitória, valorizada com elogios e muito carinho. Uma boa alternativa para isso é utilizar um calendário, e colar adesivos ou estrelas sempre que a criança conseguir controlar o fluxo. Outro caminho é presentear a criança a cada x dias consecutivos secos.

Alarme
Nesse tipo de tratamento a criança utiliza um sensor próximo ao pênis ou à vulva que dispara um som quando em contato com as primeiras gotas de urina. Como o alarme é fixado no pijama, próximo ao ombro, a criança acorda, vai ao banheiro e urina.

Depois de um período que pode variar entre 2 a 6 meses, espera-se que a criança adquira um condicionamento e não precise mais do dispositivo para saber que, ao sentir a bexiga cheia, é hora de urinar.

Medicamentos
A desmopressina é um medicamento que tem efeito antidiurético e, portanto, diminui a produção de urina noturna. É considerada eficaz e segura nos pacientes com enurese noturna poliúrica – onde há produção de grande quantidade de urina noturna. Uma pequena porcentagem dos pacientes tratados pode apresentar reações adversas como fadiga, dor de cabeça, náusea e dor abdominal.

A Imipramina é um medicamento de efeitos discutíveis. Parece inibir o reflexo da micção ou tornar o sono mais “leve”, o que auxiliaria a criança a acordar quando a bexiga estivesse cheia. Pode causar efeitos como fadiga, dor de cabeça, tontura, tremor, etc. Deve ser realizada avaliação cardiológica antes de utilizá-la.

A Oxibutinina é um medicamento indicado para os casos de enurese noturna por bexiga hiperativa, em que ela apresenta contrações involuntárias. Assim, a bexiga relaxa, permitindo que ela consiga armazenar maior quantidade de urina. Pode causar vermelhidão facial, febre, tonturas e prisão de ventre.

Acompanhamento psicológico
O(a) psicólogo(a) se torna um importante aliado para a criança e para a família, já que além de recuperar a autoestima dos pequenos, também pode orientar os pais sobre como lidar com a situação.

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Gustavo Franco - Urologista
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